Montar o portfólio
O que colocar no seu portfólio (e o que deixar de fora)
Um bom portfólio não mostra tudo o que você já fez. Ele mostra, com clareza, o que você quer que lembrem de você.
Quando a gente vai montar um portfólio, a vontade é colocar tudo: cada apresentação, cada oficina, cada foto boa do celular. Faz sentido, porque é a sua história. Mas quem lê o seu portfólio tem pouco tempo, e o que fica na memória é o que aparece com clareza.
Um bom portfólio não é um arquivo de tudo o que você já fez. É uma apresentação do que você quer que lembrem de você.
1. Comece pela apresentação
Antes dos trabalhos, a pessoa precisa entender quem está ali. Um parágrafo curto resolve: o que você faz, pra quem, desde quando e onde.
Exemplo: "Sou palhaça e arte-educadora. Há dez anos crio espetáculos de rua e dou oficinas de circo em escolas públicas do Recife."
Duas ou três frases bastam. O resto da sua história aparece nos trabalhos.
2. Escolha os trabalhos, não junte todos
Aqui mora o erro mais comum. Três trabalhos bem contados valem mais do que dez soltos. Escolha os que:
- mostram o seu melhor momento;
- têm a ver com o que você quer fazer daqui pra frente;
- têm registro bom (foto, vídeo, matéria, número de público).
Se você trabalha com mais de uma linguagem, tudo bem misturar. Só evite que o portfólio vire uma colcha sem fio condutor.
3. Conte cada trabalho direito
Para cada trabalho, responda o básico:
- O que foi: espetáculo, exposição, oficina, disco, campanha…
- Onde e quando: cidade, espaço, ano.
- Pra quem: público, faixa etária, quantas pessoas.
- Qual foi o seu papel: direção, atuação, produção, criação, aulas.
- Quem apoiou: edital, lei de incentivo, parceiros (se houver).
Uma foto boa e um link de vídeo fazem muita diferença. Se o portfólio vai virar PDF, um QR code para o vídeo ajuda quem está lendo no papel.
4. Mostre a trajetória
Prêmios, festivais, editais aprovados, residências, oficinas que você deu e que fez: tudo isso conta. Organize do mais recente para o mais antigo e, se a lista for grande, agrupe por tipo.
5. Deixe o contato fácil
Parece óbvio, mas muita gente esquece: e-mail, WhatsApp e redes sociais, num lugar fácil de achar. Se alguém gostou do seu trabalho, não pode ter dúvida de como falar com você.
O que deixar de fora
- Trabalhos que não representam mais você. Se você mudou de caminho, o portfólio pode mudar junto.
- Fotos escuras, tremidas ou cortadas. Uma foto ruim chama mais atenção do que nenhuma.
- Textos enormes. Se precisa explicar muito, provavelmente dá para escolher melhor o que mostrar.
- Informação desatualizada. Telefone antigo, link quebrado, projeto que já acabou como se estivesse em cartaz.
- Documentos pessoais. CPF, RG e comprovantes só quando forem pedidos, e em arquivo separado.
Em resumo
Portfólio não é arquivo morto, é apresentação. Escolha bem, conte direito e revise de tempos em tempos: a sua trajetória cresce, e o portfólio precisa acompanhar.